Neto Amado celebra os legados culturais santomenses

Entrevista com Neto Amado sobre Meu legado, um dos melhores discos de 2025, um álbum que celebra os legados culturais de São Tomé e Príncipe: a música como herança viva, a força da mulher santomense, a fé e o ritmo de vida das ilhas.

Neto Amado em linha: Spotify, Instagram

Perdido
Entrevista com Neto Amado sobre Meu legado, um dos melhores discos de 2025, um álbum que celebra os legados culturais de São Tomé e Príncipe: a música como herança viva, a força da mulher santomense, a fé e o ritmo de vida das ilhas. Neto Amado em linha: Spotify, Instagram Perdido https://www.youtub
No videoclipe de “Perdido”, o diálogo musical entre um saxofonista mais velho e um menino com uma harmónica parece refletir a continuidade da tradição santomense. Que elementos da cultura e da música de São Tomé e Príncipe o senhor gostaria que perdurassem?
Nos tempos que correm, recorre-se muito à tecnologia para fazer música. Como amante de instrumentos musicais, acho que é indispensável manter esse elo de ligação para que as gerações vindouras possam continuar a usar instrumentos musicais, principalmente os tradicionais, pois estes estão em vias de extinção.
Santomense

Você é bela, você é jaca, você é safú, cajamanga

Entrevista com Neto Amado sobre Meu legado, um dos melhores discos de 2025, um álbum que celebra os legados culturais de São Tomé e Príncipe: a música como herança viva, a força da mulher santomense, a fé e o ritmo de vida das ilhas. Neto Amado em linha: Spotify, Instagram Perdido https://www.youtub
Em “Santomense”, os versos que comparam a mulher aos frutos (jaca, safú, cajamanga) e às flores (rosa de porcelana) sugerem um carinho profundo pela sua beleza e pela sua força. Que qualidades da mulher santomense o senhor mais admira e como quis celebrá-las neste disco?
Sendo STP um país de muitas carências, obviamente o sector da população que mais se expõe negativamente em termos sociais e de pobreza são as mulheres. Mais dependentes economicamente e tendo sobre si a sobrecarga de cuidar dos filhos, faz com que elas sejam bastante vulneráveis, apesar de haver uma tendência para melhorias. É esta a razão que me levou a compor “Santomense” como forma de enaltecer todas essas qualidades que elas têm, muitas vezes ignoradas pela sociedade. É, portanto, um tributo a toda essa beleza interior e energia que elas transmitem.

É nosso o solo sagrado da terra, de Alda Espírito Santo

No videoclipe de “Santomense” aparece o livro É nosso o solo sagrado da terra, de Alda Espírito Santo. De que maneira sente que este disco dialoga com a obra e o legado de Alda Espírito Santo?
Alda ES tem a sua presença marcada na nossa história, não só na literatura como na participação na luta pela independência do país. Foi presa e torturada pela PIDE [Polícia Internacional e de Defesa do Estado], mas com a sua caneta e papel manifestou sempre o nosso sofrimento e, evidentemente, não poderia deixar de fora a sua obra e expô-la no vídeo.
Santana

Santana glandji bôbô mina, klaga neto, ni fleguedjá

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Em “Santana”, a letra em forro invoca Nossa Senhora de Santana e no videoclipe vemos uma mulher no seu dia a dia: lavar roupa no rio, regressar a casa e finalmente ir à igreja. Como se conectam, para o senhor, a força cotidiana das mulheres e a figura protetora da santa nesta canção?
Como referi na primeira pergunta, toda a aura da mulher santomense está patente no seu dia a dia, cuidando da família, cozinhando, lavando e muitas delas hoje em dia estudando. Essa força toda encontra como que uma reciprocidade divina na Nossa Senhora de Santana, fazendo com que nós clamemos por ela sempre que procuramos uma solução para um problema que inclui mulheres. Neste caso concreto, trata-se de uma história de amor de que se espera um milagre da mesma.
Gingá
Entrevista com Neto Amado sobre Meu legado, um dos melhores discos de 2025, um álbum que celebra os legados culturais de São Tomé e Príncipe: a música como herança viva, a força da mulher santomense, a fé e o ritmo de vida das ilhas. Neto Amado em linha: Spotify, Instagram Perdido https://www.youtub
“Gingá” parece dialogar com um verso de “Santomense”: “Adoro o teu gingar”. A que se refere, para o senhor, essa ideia de gingá? Como se relaciona com a ideia de “legado” que dá título ao disco?
Muito interessante a vossa pergunta pelo facto de relacionarem as músicas e letras num contexto único: o do gingar, o legado, etc. Gingar vem de gingão, mexer, muita energia, e isto caracteriza sobremaneira o povo de STP, que gosta de movimento, música, dança, etc. Portanto, este instrumental pretende transmitir exactamente essa dinâmica toda que se vive durante os dias festivos e não só.

Uma expressão típica das ilhas que pressupõe viver o dia a dia sem stress

No videoclipe de “Gingá” aparece o letreiro “Leve Leve”, uma expressão profundamente associada à identidade santomense. O que significa para o senhor viver “leve-leve”?
Esta é uma expressão típica das ilhas que pressupõe viver o dia a dia sem stress, o que é salutar para a saúde dos santomenses.

Pessoalmente, pratico uma corrente mais equilibrada entre o “leve leve” e o “dján dján”, que é a expressão oposta, de forma a sentir-me mais universal, dado os anos que levo vivendo fora.

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