https://www.youtube.com/watch?v=tClkSdRLfWg Em Manifesto de Iúri Oliveira, um dos melhores discos de 2025, a percussão afirma-se como uma linguagem íntima e um manifesto vital, atravessado pela ancestralidade, pela presença no agora, pela exploração sonora e pela liberdade criativa. Iúri Oliveira di
Em Manifesto de Iúri Oliveira, um dos melhores discos de 2025, a percussão afirma-se como uma linguagem íntima e um manifesto vital, atravessado pela ancestralidade, pela presença no agora, pela exploração sonora e pela liberdade criativa.
Iúri Oliveira diz: “Tudo o que toco são cores”. Seguindo essa imagem, em vez de uma entrevista tradicional, propomos aproximar-nos de “Manifesto 6” como quem observa uma pintura: primeiro contemplando a obra no seu conjunto (através do videoclip na sua totalidade, acima) e, depois, detendo-nos em cada cor, em cada matiz. Cada fragmento escolhido funciona como uma tonalidade distinta, e cada pergunta como um convite a olhar e a escutar com mais atenção, deixando que o disco revele as suas camadas pouco a pouco.
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Escuta ativa: Manifesto 6
Ancestralidade
Tudo é fruto da minha vontade, génese, ancestralidade e do agora
https://www.youtube.com/watch?v=tClkSdRLfWg Em Manifesto de Iúri Oliveira, um dos melhores discos de 2025, a percussão afirma-se como uma linguagem íntima e um manifesto vital, atravessado pela ancestralidade, pela presença no agora, pela exploração sonora e pela liberdade criativa. Iúri Oliveira di
Como entendes hoje a presença da tua ancestralidade na tua forma de criar?
Todo o disco “Manifesto” tem muita essência e génese, e não seria fiel nem genuíno se fosse de outra forma. Todas as peças musicais ou temas vieram de chamamentos que tenho interiores, sejam eles mais abstratos ou que têm alguma ligação com os meus antepassados. Eu, como luso-angolano, sinto-me principalmente um músico do mundo. Sem dúvida que a minha impressão digital da minha ancestralidade está sempre presente, assim como outras influências mais contemporâneas, futuristas e abstratas, em toda a minha criação e inspiração.
Estar aqui, agora
É uma bênção estar aqui, estar agora
https://www.youtube.com/watch?v=tClkSdRLfWg Em Manifesto de Iúri Oliveira, um dos melhores discos de 2025, a percussão afirma-se como uma linguagem íntima e um manifesto vital, atravessado pela ancestralidade, pela presença no agora, pela exploração sonora e pela liberdade criativa. Iúri Oliveira di
Como alcanças essa presença absoluta perante as distrações, tanto internas como externas?
O termo “estar aqui, agora” é um exercício que aprendi na psicoterapia, para acalmar a mente e estar no “momento”. É isso que quis muito fazer neste disco: estar no momento! Não me preocupei em corrigir pequenas falhas e/ou enaltecer algo que, no momento, não devesse ser enaltecido. Quis respeitar o “aqui e agora”.
Essa presença absoluta é difícil e ainda hoje é um dos meus maiores exercícios. Faço com muitos banhos de água fria, levantar cedo, exercício físico, invocar calma interior e muitas mentalizações. A mente é um músculo que necessita ser exercitado.
Sinestesia
Tudo o que toco são cores
https://www.youtube.com/watch?v=tClkSdRLfWg Em Manifesto de Iúri Oliveira, um dos melhores discos de 2025, a percussão afirma-se como uma linguagem íntima e um manifesto vital, atravessado pela ancestralidade, pela presença no agora, pela exploração sonora e pela liberdade criativa. Iúri Oliveira di
Como é que essas sensações visuais influenciam a tua forma de compor e tocar?
Não é por acaso que isto acontece. É um fenómeno que muitos artistas têm: sinestesia. Basicamente, é a ativação de dois sentidos ao mesmo tempo. No meu caso, ao tocar, vejo certas cores que geralmente andam aos pares. Confesso que tento não pensar muito nisso quando acontece, e sim sentir. Harmonias, construções rítmicas, convenções, melodias — tudo isso forma quadros muito bonitos na minha cabeça.
Costumo dizer que “eu só sou músico porque não sei pintar”.
Sentimentos
Eu toco o que sinto, e o que eu sinto é diferente todos os dias
https://www.youtube.com/watch?v=tClkSdRLfWg Em Manifesto de Iúri Oliveira, um dos melhores discos de 2025, a percussão afirma-se como uma linguagem íntima e um manifesto vital, atravessado pela ancestralidade, pela presença no agora, pela exploração sonora e pela liberdade criativa. Iúri Oliveira di
Como é que os teus sentimentos diários dialogam com a tua linguagem rítmica?
Se eu fosse gravar o Manifesto nos dias de hoje, seria algo diferente, pois estamos em constante mutação, física e intelectual. Naquela altura, naquele momento, quis concentrar o “momento” e as ideias que tinha, e como elas soariam naquele momento. É algo irrepetível, e orgulho-me disso, por ser algo tão único.
Quando faço os concertos ao vivo, tento aproximar-me ao máximo do que estava a sentir quando gravei, para o trabalho se manter na mesma linha de raciocínio.
Tentativa-erro
Uma composição é tentativa-erro
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Que lugar ocupa o erro na tua busca artística?
São inúmeras as vezes que, ao explorar uma ideia, o erro se torna uma ideia e passa a fazer parte da composição. Basicamente, o erro é apenas uma brisa de inspiração inesperada que pode ou não fazer sentido naquela mesma composição.
É muito engraçado quando isso acontece.
Liberdade
Livre de preconceitos, estigmas e juízos
https://www.youtube.com/watch?v=tClkSdRLfWg Em Manifesto de Iúri Oliveira, um dos melhores discos de 2025, a percussão afirma-se como uma linguagem íntima e um manifesto vital, atravessado pela ancestralidade, pela presença no agora, pela exploração sonora e pela liberdade criativa. Iúri Oliveira di
De que preconceitos sentes que te libertas — e como é que a música te ajuda nesse processo?
Todo o disco é uma libertação e um sair da zona de conforto. 90% do meu trabalho é acompanhar artistas, bandas, andar na estrada, tours, processos de estúdio para temas, canções, bandas sonoras de filmes, entre muitas outras coisas. Nestes mesmos habitats, há conceitos musicais que se têm de manter, e eu sou essa pessoa que gosta de abrir as várias caixas de Pandora mediante o espaço, o artista, o meio. Dar asas a essas caixas musicais e permitir que elas cheguem aos espaços necessários.
No meu trabalho a solo é onde dou mais azo à liberdade e criatividade do que propriamente à execução plena de técnica. É o meu Manifesto, e expresso-me como quero.
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